Quando escolhi fazer especialização em Educação a Distância estava certa de que nada seria mais coerente do que fazê-la a distância. A relação entre teoria e prática, nesse caso, não se justifica mais! A experiência enquanto discente da EaD me faria perceber dois lados ao mesmo tempo. A apreensão da teoria aliada à prática enquanto aluna, me faria sentir o funcionamento e os possíveis conflitos. Tive e tenho gratas surpresas. Tanto no quesito seriedade quanto experiência de vida, de ensino, de aprendizagem. Transformei qualquer pré-conceito em relação à modalidade. O único fator que ainda me inquieta é a falta do contato físico, pessoal. Essa frieza que “falam” da EaD…
Não sei se porque essa é minha primeira experiência em EaD – sempre me escolarizei através do presencial – mas o fato é que sinto falta da presença. Não há o olhos nos olhos, não há o tom da voz, não há outra percepção senão o que nos orienta ao ler um comentário no espaço virtual. Esse “o que nos orienta” é nossa subjetividade. E ela depende da nossa história, dos costumes, da cultura de onde viemos e vivemos, da forma como nos relacionamos… É fácil ser mal interpretado ou interpretar mal algum comentário. Há a necessidade de se criar intimidade com esse espaço, aprender a “ler” a reação das pessoas através da escrita. Estamos mais acostumados e interpretar a expressão corporal, facial, a entonação da voz. É diferente quando conhecemos alguém e nos falamos por bate-papos, na EaD há pessoas de diferentes lugares, de diferentes culturas, com diferentes formas de ver o mundo e, essencialmente, desconhecidas. A vivência do contato é através da escrita. O processo de inferência das mensagens é mais complicado.
Conectada a essa ideia, me passou pela mente aquelas indicações da netiqueta. Ainda estamos aprendendo a nos portar no espaço virtual, a nos movimentar e a aprender. Carecia uma pesquisa a respeito, mas as transformações tecnológicas e culturais hoje, são muitas: o grande potencial de compartilhamento, trocas, criações conjuntas, mas também as relações humanas por meio da internet estão se estabelecendo de forma diversa da presencial. Explicando melhor, carregamos nossa “bagagem” (subjetividade), mas o meio (telemática) influencia nossas formas de expressão e comunicação pessoal, transformando também nossas formas de agir. A relação muda, ao mesmo tempo sentimos diminuir a timidez e nos manifestamos com mais tranquilidade, porque nosso interlocutor, a princípio é uma tela (como nos vídeos caseiros do you tube, vi uma palestra sobre em algum lugar, as pessoas se sentem impelidas a falar delas de maneira mais “solta” pois se olha para a câmera e a tela, não há o olhar do outro). Assim, não temos a censura do olhar do outro, não vemos as emoções do outro, nos sentimos mais soltos… É bom e também ruim, tenho a sensação de que tudo pode ser dito e expressado, as palavras parecem que possuem um filtro… a tela, os cabos, a “frieza” da não manifestação das emoções do outro físico, real. Isso, acaba significando para o emissor que o outro não sentirá como se tivessem sido ditas diretamente, mas o outro, na recepção da mensagem, do outro lado da tela, dos cabos, receberá as palavras e as emoções por elas transmitidas… Muitas vezes pode parecer que há uma “liberdade” ao utilizar a internet como meio aparentemente impessoal para dar margem a comportamentos e/ou comentários que pessoalmente não fariam. Esses embates nas formas de agir se mostram evidentes dentro de um espaço virtual de aprendizagem, em que se concentram diferentes mentes trabalhando em conjunto.
O fato é que muito se tem a refletir e observar nessa nova forma de nos movimentarmos no mundo, sem território definido, nos projetando para dentro da tela, da rede, do espaço e nos comunicando de novas formas, até há pouco nem imaginadas.
CERTEZA
De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando…
A certeza de que precisamos continuar…
A certeza de que seremos interrompidos antes de continuar…
Portanto, devemos…
Fazer da interrupção, um caminho novo…
Da queda, um passo de dança…
Do medo, uma escada…
Do sonho, uma ponte…
Da procura, um encontro…
E assim terá valido a pena existir.
(Fernando Sabino)
Interessante mesmo colocar aqui as experiências que tens passado com a EAD. Lendo o texto pode encorajar as pessoas que tem algum receito!