As redes sociais auxiliam a organizar o caos

Quando escrevi o post anterior tinha em mente a magnitute da relação com a própria internet que, através do Twitter, me possibilitou encontrar um texto que jamais teria acesso de outra forma. Hoje, lendo um texto para a escrita do TCC da pós, me dei conta… Lèvy, no seu livro “Cibercultura” (p. 160) diz “Longe de ser uma massa amorfa, a Web articula uma multiplicidade aberta de pontos de vista, mas essa articulação é feita transversalmente, em rizoma, sem o ponto de vista de Deus, sem uma unificação sobrejacente. Que este estado de coisas engendre confusão, todos concordam. Novos instrumentos de indexação e pesquisa devem ser inventados (…)”.

O google, ícone dos sistemas de busca atual, que organiza os dados para que possamos encontrar aquilo que nos interessa, não dá conta sozinho da vastidão da internet, algumas vezes simplesmente não encontramos, como fazer? Aí percebi… percebi que a prof Teresa, em Portugal, quando precisou de um texto pediu ajuda a seus followers, caso alguém tivesse alguma notícia, foi quando eu aqui no sul do Brasil pude me “aproveitar” do achado dela. Não são sistemas de busca que tem “organizado melhor” as informações do ciberespaço, mas as próprias pessoas. As comunidades virtuais e os sites de relacionameto social possibilitam a congregação de pessoas e a organização de assuntos segundos os interesses de cada um! Quando se quer alguma notícia sobre um determinado produto o melhor é perguntar para quem usou ao invés de se basear na propaganda, para isso há fóruns que discutem os assuntos, são pessoas que fazem indicações através de ambientes que as reúnem e compartilham os mesmos interesses. Se preciso de um texto sobre determinado assunto e eu não encontro, é provável que alguém saiba onde posso achar, então o que faço é perguntar!

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Isso me faz reafirmar a ideia de que estamos começando a aprender a nos movimentar nesse espaço, no ciberespaço. Ou melhor, estamos amadurecendo a forma como nos relacionamos com as pessoas e com as informações disponíveis dentro da liberdade e plasticidade deste espaço. Estamos fazendo melhor uso e usos novos, trocando, compartilhando, sugerindo, produzindo…

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Tecnologia e aprendizado

twitter_birdEstava observando as atualizações no twitter e encontrei um texto interessante chamado “iPad, iPod, iPude” de Nuno Crato publicado originalmente no jornal português O Expresso e “tuitado” pela @profteresa. Encontrei-o hoje em um blog, onde o texto pode ser encontrado na íntegra aqui. Gostei do achado, primeiro por pensar nas trocas que acontecem via redes sociais e na possibilidade de comentar um artigo de um jornal português que eu jamais teria acesso, não fosse a @profteresa ter “tuitado”… Segundo porque faz um pequeno contra-ponto no meu último post. Eu disse que gostava de saber das iniciativas dos educadores a respeito da utilização pedagógica das novas tecnologias. É bom apenas complementar que nem toda iniciativa no uso das novas tecnologias na educação deve e vai resultar em um aprimoramento do aprendizado em si. Na última parte do texto Nuno Crato diz:

Harm-Jan disse-me, cauteloso, “nem me passa pela cabeça criticar as novas tecnologias”. Respondi-lhe que não precisava de mo dizer. Sou bem capaz de ir comprar um iPad, um iPude e instrumentos de todas as letras do alfabeto, mas não vou pretender que os meus alunos vão aprender mais só por causa disso.

A questão da metodologia, ao meu ver, também é importante – o que não significa um aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem, mas a utilização de novos meios e métodos. Mas para além disso, a reflexão sobre as novas formas de comunicação e aprendizado utilizando as TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) é essencial para a construção de diferentes formas de ensinar-aprender e o aprimoramento destas no contexto atual. Aliar novas metodologias à reflexão sobre como os estudantes apreendem informação e transformam em conhecimento  no contexto atual é que poderá resultar em um aprimoramento dos processos de aprendizagem.

Fica, portanto, a dica de leitura do texto “iPad, iPod, iPude” de Nuno Crato.

Abraços!

A Pedagogia e as tecnologias digitais

Espera-se, para o futuro próximo, que as tecnologias digitais se torne cada vez mais integrada à educação formal. A Educação a Distância no Brasil tem crescido nos últimos anos e tende a se mesclar com a educação presencial, superando certo conservadorismo que ainda persiste quando se trata de EaD no Brasil. É necessário que os profissionais da educação se atente para o aproveitamento pedagógico das novas ferramentas que a mídia eletrônica tem possibilitado. Observar o que se vem construindo de software livre, por exemplo, é seguir a tendência do compartilhamento e coletividade que está sendo fomentada nessa década. A chamada WEB 2.0 se conecta à ideia de aprendizado e produção compartilhada em rede. Muitas ferramentas são gratuitas e pensadas para leigos. Não é necessário ser especialista para alimentar um blog ou construir uma wiki e outras tantas possibilidades para utilizar o potencial pedagógico da internet.

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É com esse olhar que se observa que os papéis de estudantes e professores tem-se modificado. O estudante passa a desenvolver um papel mais ativo, autônomo enquanto o professor passa da tradicional função de transmitir informações para o de articulador, mediador, gestor do conhecimento (sobre esse assunto há um vídeo interessante com o professor e economista Ladislau Dowbor). A Pedagogia, enquanto ciência da educação, não pode estar alheia à essa discussão. Deve ser central a necessidade de pensar as inovações tecnológicas como aliadas ao processo educativo e não oponente a ser derrotado. Isso vem sendo dito por muitos intelectuais da educação, mas não a ponto de ocasionarem transformações nos currículos dos cursos de Pedagogia (e também das Licenciaturas). Muitos cursos ainda estão alheios a esse debate e, principamente, à construção de diciplinas que incluam pensar soluções criativas e pedagógicas no que se refere às novas tecnologias. Não adianta assumir que os tempos mudaram e não produzir ações que vem ao encontro dessa nova realidade. Em qual ponto do debate iremos parar de discutir o que as grandes coporações estão fazendo para manter sua hegemonia na internet e começar a pensar o que nós faremos para democratizar o espaço da internet? Me traz particular satisfação quando observo iniciativas de professores, grupos de pessoas (que às vezes nem educadores são) produzindo conteúdo e alimentando o ciberespaço com conteúdos educacionais. Há inúmeras páginas, blogs, softwares e tantas iniciativas que podem ser utilizadas como ferramentas e também como incentivo.

Pretendo compartilhar aqui, sempre que eu tiver conhecimento, de páginas na web, softwares, filmes e histórias relacionadas ao uso das novas tecnologias na educação. Hoje fica a dica, para quem ainda não viu, da entrevista com Frederic Litto, presidente da ABED, além do vídeo do Professor Dowbor, que é bem bacana!

Abraços e até a próxima!

Avaliação, aprendizagem e currículo em EaD

Estou na reta final da pós-graduação e formulei meu projeto de pesquisa da monografia com foco na imbricação entre avaliação, aprendizagem e currículo na EaD.  Abaixo o texto que se refere à justificativa do projeto. Estou na busca por bibliografia com enfoque em alguma teoria de currículo que contemple EaD, mas tá complicado… Estou aceitando sugestões! =)

Justificativa

Impulsionada pelo contexto da cibercultura vivenciado hoje, a Educação a Distância tem colocado em prática formas de ensinar-aprender há muito debatidas e almejadas pelos intelectuais da educação. Tendo o maior ícone em Paulo Freire, a educação com base no diálogo e na interação tem sido alvo de reflexão e debate de grandes educadores e teóricos da área. Através de experiências em EaD tem-se observado a prática de um currículo que ultrapassa os limites da formatação ideológico-filosófica imposta pelo currículo dito tradicional. Currículo este, presente em muitas culturas escolares e em prática desde Bobbitt, visa reproduzir um tipo de subjetividade que esteja de acordo com os ideais do modelo de sistema liberal-capitalista. No currículo praticado em muitos cursos a distância, com mais ênfase, tem-se observado uma preocupação com uma educação baseada na colaboração, interatividade, co-produção e autonomia.

Para além, o incremento nas Tecnologias de Informação e Comunicação ocorrido nas últimas décadas propôs novos desafios à compreensão dos processos de aprendizagem das novas gerações. A velocidade e o dinamismo com que se acessa e conecta informações tem imputado às novas gerações uma nova relação com o saber. Portanto, o contexto histórico-cultural contemporâneo impõe a urgência da pesquisa educacional com objetivo de desvelar as relações dialógicas estabelecidas nesse novo espaço de comunicação – que é a rede mundial de computadores – e as imbricações com o aprendizado formal e as maneiras de avaliá-lo.

Dessa forma observa-se a emergência de uma nova manifestação cultural, política e social que tem influenciado o currículo praticado de forma mais intensa. Esse estudo justifica-se pela necessidade de investigação e reflexão para produção de trabalhos que levem em consideração o panorama sobre o currículo praticado em EaD, a aprendizagem e a importância do papel da avaliação enquanto parte integrante e essencial deste currículo.

Abraços!

Papel da avaliação em EaD

A avaliação em EaD tem papel central. Ocorrem, em geral, na educação presencial, momentos de aprendizagem separados dos momentos de avaliação. Há momentos específicos pare se realizar avaliação. No caso estou me referindo especialmente  à prova, como forma de avaliação (há também os trabalhos para casa, que normalmente possuem peso menor que as provas). Entretanto, concordo com Luckesi quando ressalta que há grande diferença entre exame e avaliação. O que é exame? Exame observa que naquele momento o estudante soube responder a algumas questões e outras não; apenas isso. E o que é avaliação? Avaliação é um instrumento para avaliar algo, investigar os processos pelo qual está passando e, principalmente, se está no caminho para atingir determinada finalidade. A avaliação é o instrumento de retro-alimentação do processo de ensino-aprendizagem. Serve para observar em que ponto da caminhada o sujeito se encontra e qual a orientação necessária para atingir as finalidades educativas propostas. Esse é o objetivo da avaliação. A avaliação, nesse sentido, está a favor da aprendizagem. O exame, em oposição, classifica e diferencia os que tiveram mais acertos dos que tiveram menos acertos, não objetiva a aprendizagem*.

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Na EaD a avaliação acaba assumindo um papel essencial e conectada aos momentos de aprendizagem. A própria modalidade exige uma constância na participação dos estudantes, momentos que são registrados e compartilhados, permitindo a possibilidade de observação mais atenta ao aprendizado do aluno. Em uma atividade que propõe o debate de um tema realizado por meio de fórum, por exemplo, terá por princípio o compartilhar de idéias, tudo mediado pelo professor/tutor e registrado por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Essa possibilidade permite uma constante avaliação de como os estudantes estão interpretando conceitos e como os significam. Além, claro, de promover a autonomia e o compartilhamento de idéias. Na EaD (na EaD comprometida com o aprendizado do aluno) a avaliação processual/diagnóstica mescla-se com os momentos de aprendizagem em que o aluno desenvolve na escrita suas reflexões e as registra no AVA, permitindo que o professor acompanhe seus passos.

Há outras interfaces interessantes que auxiliam estudantes e professores, como no caso do diário de bordo, webfólio, blogs, wikis, entre outros. O importante é que sejam utilizadas como fonte de construção do conhecimento e da autonomia ao mesmo tempo em que permitem avaliação e auto-avaliação.

* Quem se interessar, pode ler textos sobre avaliação no site do Cipriano Luckesi em: http://www.luckesi.com.br/

Experiências na Educação a Distância

Quando escolhi fazer especialização em Educação a Distância estava certa de que nada seria mais coerente do que fazê-la a distância. A relação entre teoria e prática, nesse caso, não se justifica mais! A experiência enquanto discente da EaD me faria perceber dois lados ao mesmo tempo. A apreensão da teoria aliada à prática enquanto aluna, me faria sentir o funcionamento e os possíveis conflitos. Tive e tenho gratas surpresas. Tanto no quesito seriedade quanto experiência de vida, de ensino, de aprendizagem. Transformei qualquer pré-conceito em relação à modalidade. O único fator que ainda me inquieta é a falta do contato físico, pessoal. Essa frieza que “falam” da EaD…

Não sei se porque essa é minha primeira experiência em EaD – sempre me escolarizei através do presencial – mas o fato é que sinto falta da presença. Não há o olhos nos olhos, não há o tom da voz, não há outra percepção senão o que nos orienta ao ler um comentário no espaço virtual. Esse “o que nos orienta” é nossa subjetividade. E ela depende da nossa história, dos costumes, da cultura de onde viemos e vivemos, da forma como nos relacionamos… É fácil ser mal interpretado ou interpretar mal algum comentário. Há a necessidade de se criar intimidade com esse espaço, aprender a “ler” a reação das pessoas através da escrita. Estamos mais acostumados e interpretar a expressão corporal, facial, a entonação da voz. É diferente quando conhecemos alguém e nos falamos por bate-papos, na EaD há pessoas de diferentes lugares, de diferentes culturas, com diferentes formas de ver o mundo e, essencialmente, desconhecidas. A vivência do contato é através da escrita. O processo de inferência das mensagens é mais complicado.

Conectada a essa ideia, me passou pela mente aquelas indicações da netiqueta. Ainda estamos aprendendo a nos portar no espaço virtual, a nos movimentar e a aprender. Carecia uma pesquisa a respeito, mas as transformações tecnológicas e culturais  hoje, são muitas: o grande potencial de compartilhamento, trocas, criações conjuntas, mas também as relações humanas por meio da internet estão se estabelecendo de forma diversa da presencial. Explicando melhor, carregamos nossa “bagagem” (subjetividade), mas o meio (telemática) influencia nossas formas de expressão e comunicação pessoal, transformando também nossas formas de agir. A relação muda, ao mesmo tempo sentimos diminuir a timidez e nos manifestamos com mais tranquilidade, porque nosso interlocutor, a princípio é uma tela (como nos vídeos caseiros do you tube, vi uma palestra sobre em algum lugar, as pessoas se sentem impelidas a falar delas de maneira mais “solta” pois se olha para a câmera e a tela, não há o olhar do outro). Assim, não temos a censura do olhar do outro, não vemos as emoções do outro, nos sentimos mais soltos… É bom e também ruim, tenho a sensação de que tudo pode ser dito e expressado, as palavras parecem que possuem um filtro… a tela, os cabos, a “frieza” da não manifestação das emoções do outro físico, real. Isso, acaba significando para o emissor que o outro não sentirá como se tivessem sido ditas diretamente, mas o outro, na recepção da mensagem, do outro lado da tela, dos cabos, receberá as palavras e as emoções por elas transmitidas… Muitas vezes pode parecer que há uma “liberdade” ao utilizar a internet como meio aparentemente impessoal para dar margem a comportamentos e/ou comentários que pessoalmente não fariam. Esses embates nas formas de agir se mostram evidentes dentro de um espaço virtual de aprendizagem, em que se concentram diferentes mentes trabalhando em conjunto.

O fato é que muito se tem a refletir e observar nessa nova forma de nos movimentarmos no mundo, sem território definido, nos projetando para dentro da tela, da rede, do espaço e nos comunicando de novas formas, até há pouco nem imaginadas.

CERTEZA

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando…
A certeza de que precisamos continuar…
A certeza de que seremos interrompidos antes de continuar…
Portanto, devemos…
Fazer da interrupção, um caminho novo…
Da queda, um passo de dança…
Do medo, uma escada…
Do sonho, uma ponte…
Da procura, um encontro…
E assim terá valido a pena existir.

(Fernando Sabino)